Thursday, April 12, 2007

Escrevendo Ficção com The Gotham Writers' Workshop (Lição 1)

(Começo agora a tradução deste excelente curso, ofertado online em 2006. Composto de 8 lições)
Traduzido por: Henry Alfred Bugalho

Plano da Lição
Lição 1: A Verdade sobre Ficção


Apresentação:

Nesta lição, você compreenderá como os personagens são, geralmente, o aspecto mais marcante duma obra de ficção e, por isto, aprender e dominar a criação de personagens ficcionais é vital para qualquer escritor de ficção.

Tempo Estimado:

Aproximadamente, 1 hora e 40 minutos para completar esta lição.

Objetivos:

Após haver concluído esta lição, você poderá:

- compreender o que impele as pessoas a lerem ficção.
- compreender que personagens são, geralmente, o aspecto mais marcante duma obra ficcional.
- compreender que personagens são a fonte de tudo que se desenvolve numa obra ficcional.

Atividade:

Durante esta lição, você completará a seguinte atividade:

- Atividade de Reflexão Pessoal: Avaliando Personagens Marcantes
Dissertação
e Debate
Lição 1: A verdade sobre Ficção

Introdução


No curso de escrita de Ficção no Gotham Writer's Workshop, não é necessário, na primeira aula, perder muito tempo definindo o que é ficção. A resposta é bastante óbvia: ficção são histórias inventadas, narradas em forma de prosa. Ficção é composta de romances, novelas e contos. Assim, ficção foi definida. Fácil demais.

Mas é útil para escritores de ficção compreender
o por quê de as pessoas lerem ficção. Se você possuir algum entendimento sobre o assunto, terá, então, idéia de como safisfazer seus leitores quando chegar o momento de conceber sua própria ficção. Mergulhemos, assim, nesta questão, e vejamos quais pérolas de conhecimento nós encontraremos.

Razões para ler

Por que, então, lemos
ficção? De fato, a resposta para isto não será tão simples. Na verdade, há, provavelmente, tantas razões quanto há leitores. Porém, nós poderemos indicar algumas razões predominantes.

Muitos de nós lemos para sermos transportados para diferentes épocas e lugares, para a Londres do século XIX de Charles Dickens ou para a Terra Média de J. R. R. Tolkien. Por acaso você já foi literalmente "transportado" por um livro, a ponto de se esquecer onde você estava, perdendo a parada do ônibus ou deixando a comida queimar no forno
?

Outros lêem para se aperfeiçoarem, para expandirem seus conhecimentos do mundo e como ele funciona. Se você quiser entender como era a vida no front, durante a Primeira Grande Guerra, você pode ler "Adeus às Armas" de Ernest Hemmingway. Se você tiver curiosidade sobre a extinta indústria baleeira na Nova Inglaterra, você pode navegar através do Moby Dick de Herman Melville.

Algumas histórias oferecem, é claro, divertimento escapista. Pense em O Parque dos Dinossauros de Michael Crichton, com seus dinossauros fazendo a terra tremer, ou as aventuras de tribunal de John Grisham. Apesar destas histórias parecerem ser um fenômeno contemporâneo, literatura escapista existe há muito tempo. No século dezenove, A Ilha do Tesouro de Robert Louis Stevenson era uma popular trama escapista. Você já ouviu falar de A Odisséia
? Homero oferece um penentrante vislumbre da natureza humana neste poema épico, mas também nos dá aventuras, arrepios e reviravoltas proverbiais.

As melhores histórias nos oferecem algo a mais, independente das razões pelas quais as lemos. Este algo a mais é intensidade. "Que fascinante!", nós pensamos, concordando com nossas cabeças, maravilhados, enquanto viramos páginas após páginas. Ou: "Nossa! Isto é tão estimulante." Ficção pode nos fazer rir, chorar, conferir se a porta está trancada -- apesar do fato de que é "fazer de conta", e de nós sabermos disto.

É por isto que não conseguimos largar os livros que amamos. Não queremos abandoná-los por causa de seus mundos intensos, em contraposição com nossa vida diária monótona -- dirigir para o trabalho, pagar as contas ou encerar o carro.

A vida real pode ser, certamente, muito intensa (às vezes, intensa até demais), mas mesmo assim, ela costuma não ter organização, foco. Ela é ilógica, deixando dezenas, talvez centenas, de pontas soltas, através dos anos. A vida é bagunçada. Uma história bem contada, porém, tem um começo, um meio e fim definidos. Este foco faz da experiência da leitura duma história muito mais intensa.

Ainda assim, é bastante plausível escrever um história que possua todas as características acima e ainda fracassar como narrativa. Você já deve ter lido uma história assim, ou, pelo menos, começou, não agüentou, fechou e colocou-a de novo na prateleira ou a devolveu na Biblioteca. Todas as partes da história pareciam estar no lugar. Mas, mesmo assim, você, o leitor, não se importou. E sobre a ficção que nos importa
?

A resposta é simples: personagens.

(continua...)

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2 comments:

Raquel Queiroz said...

Nossa!

Dizem que esse é o melhor dos cursos de como escrever ficção!

Muito obrigada por trazer isso pra gente!


Raquel

Lehgau-Z Qarvalho said...

Belíssima iniciativa Henry. Parabéns!

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